Norte da Itália: cinco motivos para conhecer o Piemonte

Sempre que visito a Itália volto com a mesma sensação: uma vida não vai bastar. Numa área um pouco maior que o Rio Grande do Sul estão algumas das melhores coisas que a humanidade já produziu em termos de arte, arquitetura, moda, design, culinária, vinho… Ah! E a natureza também foi gentil com o país: os Alpes, o Mediterrâneo, os lagos… Minha mais recente descoberta foi a região do Piemonte, um éden verdejante a oeste de Milão, entre os Alpes e o Mediterrâneo. A seguir, cinco motivos cruciais para correr pra lá:

Fim de tarde na região do Langhe, no Piemonte, no Agriturismo La Torricella
Fim de tarde na região do Langhe, no Piemonte, no Agriturismo La Torricella

1. O turismo de massa ainda não chegou ao Piemonte – e dificilmente chegará

Estive a ponto de lamentar o fato de que, diante de tanta variedade, a grande maioria dos turistas que viajam à Itália se limite a visitar o trio Roma, Toscana e Veneza. Ao invés disso, agradeço às vedetes do turismo italiano por domarem como podem o estouro da boiada. Na sombra dos grandes hits, regiões como o Piemonte podem continuam na santa paz. O lugar é idolatrado à voz miúda por gente que se interessa de verdade por comer e beber bem, ciclistas atrás de desafios para suas panturrilhas em colinas com paisagens matadoras, e outros tipos bem específicos de visitantes, que muito dificilmente entrariam num ônibus de excursão.

Fim de tarde na fofíssima La Morra, uma das beldades discretas do Piemonte
Fim de tarde na fofíssima La Morra, uma das beldades discretas do Piemonte
O charmoso centro de Alba, a maior cidade do Piemonte depois da capital, Turim
O charmoso centro de Alba, a maior cidade do Piemonte depois da capital, Turim
Tentações em lojinha de Alba
Tentações em lojinha de Alba

2. O Piemonte é um lugar de pequenas atrações e grandes prazeres

A explicação para o item acima é que não há uma Veneza ou um Florença na região. O Piemonte tem vilarejos lindos e minúsculos, e um charme que vai se revelando em doses homeopáticas. Não existe uma rota clássica que o turista maluco se empenharia em ticar da lista. Não há ícones arquitetônicos tão evidentes que todos reconhecerão no Instagram. O lugar pede uma viagem calma, com tempo para longas refeições, degustações intermináveis, dormidinhas fora de hora e o direito irrevogável à preguiça.

Visitar vinícolas boutique cheias de história e personalidade (na foto, a Contratto) é o programa número 1 na região
Visitar vinícolas boutique cheias de história e personalidade (na foto, a Contratto, em Canelli) é o programa número 1 na região
A paisagem da região do Langhe, nos arredores de Barolo
A paisagem da região do Langhe, nos arredores de Barolo
As brumas do Piemonte...
As brumas do Piemonte…

3. Você verá os vinhedos mais belos do planeta (e tomará vinhos à altura)

“No Piemonte, principalmente na região do Langhe, você realmente enxerga os vinhedos do início ao fim”, disse a Patrícia Kozmann (brasileira que conhece profundamente a região e desenha roteiros finíssimos focados no vinho, que me levou pela mão nesta viagem). Não é exagero. As vinhas enfileiradas chegam a formar anfiteatros espetaculares acompanhando o relevo. Alguns vinhedos nos arredores de Barolo são quase verticais. E digo mais: qualquer foto que você veja dos vinhedos do Piemonte não fará jus à realidade (e isso não é uma desculpa por não ser uma fotógrafa genial). Vivendo na Europa há quinze anos, tendo viajado por diversas regiões vitivinicultoras por aqui e também no Novo Mundo, nunca vi nada tão belo em termos de vinhedos. Beleza à parte, a região produz o todo-poderoso Barolo, um dos vinhos mais nobres da Itália, e também Barbaresco, Barbera, além dos brancos Cortese, Moscato…

A vindima ao vivo e a cores: uma experiência inesquecível (sobre a qual falarei mais adiante)
A vindima ao vivo e a cores: uma experiência inesquecível (sobre a qual falarei mais adiante)
Um senhor cacho de Barbera em plena vindima
Um senhor cacho de Barbera em plena vindima

4. A culinária é de arrancar lágrimas

É uma aposta arriscada organizar a gostosura da comida italiana em um ranking. Mas o Piemonte garante lugar seguro entre as primeiras posições quando o assunto é boa mesa. Delicada e com influência francesa, a cozinha piemontesa se vale da proximidade com o mar e da qualidade dos produtos da terra – incluindo as míticas trufas (clique aqui para ler o post anterior) – para compor riquíssimas combinações “mar e montanha”. A carne é de qualidade espetacular e, entre um vinho e outro, você provavelmente topará com as melhores tábuas de frios da sua vida. Comi mais salame e panceta em uma semana de Piemonte do que em toda a minha vida. “Vai um salaminho?” acabou até virando a piada interna da viagem. Valeu a engorda dos quadris. A região também tem vários restaurantes estrelados pelo Michelin, como o Massimo Camia.

Receita mar e montanha do restaurante Massimo Camia
Receita mar e montanha do restaurante Massimo Camia
Entre uma taça e outra, as melhores tábuas de frios da sua vida (esta no hotel-vinícola Relais Villa Sparina, em Monterotondo)
Entre uma taça e outra, as melhores tábuas de frios da sua vida (esta no hotel-vinícola Relais Villa Sparina, em Monterotondo)

5. Hospedagem de charme é uma especialidade piemontesa

Se você está em busca de um hotel no campo com poucos quartos e muita personalidade, eis o lugar. Nos próximos posts, falarei de alguns deles.

O charmoso Relais 23, em Castelnuovo Belbo
O charmoso Relais 23, em Castelnuovo Belbo
Relais Villa Sparina, um dos hotéis de charme do Piemonte, em Monterotondo
Relais Villa Sparina, um dos hotéis de charme do Piemonte, em Monterotondo
A paisagem pede calma
fonte: www.viagemeturismo.abril.com.br/blog/

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